Tango
Toque, toque.O rodopio de olhos fechados
da vermelha queda lãnguida,
taque, o abraço voluptuoso
do homem salvador,
o achego repentino,
o fixo olhar molhado
lambendo a alma enxuta
de toda as mentiras manchosas
e das manchas mentirosas
Toque, toque.
O ajoelhar descrente,
e a pose do piedoso tentado,
o levantar de asas abertas,
taque; o aterrar pintalgado
pela mão que pinta verticalmente
a matriz do desejo,
o rodopio sinuoso
da volta e do retorno
taque, o abraço mericordioso
do homem voluptuoso
o fixo olhar brilhante
aquecendo a alma encharcada
de pingas castigantes
fugindo do perdão

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